Voto, a utopia tangível!

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Dentro de um ano, outubro de 2016, estaremos elegendo vereadores e prefeitos em cerca de 5.500 municípios do país. O ato de votar consagra a democracia estabelecida no país e renova o compromisso de milhões de cidadãos consigo e com os demais.
Desde o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais que milhares de pessoas dos diversos partidos e organizações se mobilizam para construir candidaturas. Tal mobilização pode ser percebida como algo positivo pois revela crença na atividade política e também uma tendência de “abraço” para com o processo de planejamento, isto é, baseadas na história, na realidade, as pessoas desenham seus passos, agregam pares para ocupar outras posições no futuro.
Na verdade, estamos então numa desabalada contagem regressiva ao sabor do cotidiano cada vez mais célere, dinâmico, multifacetado por milhões de conteúdos onde as pessoas lutam consigo mesmas para fazê-las emergir e se tornarem definidoras na solução de problemas, isto é, se faz crer que cada de nós tem uma avaliação – achismo com performance literária- e chave para desvendar aquilo que nem como um todo entendemos.
Estimular a crença nesse suposto potencial abre possibilidades para um multiplicar infinito de opiniões quase monossilábicas – posts – ou restritas a slogans e registros da realidade que pouco ou nada influenciam na leitura e/ou dinâmica da mesma. Na verdade, as opiniões compõem um quadro onde milhões de imagens se mexem aleatoriamente a cada fração de segundo sem satisfazer outro vazio que não o de olhar para tentar se ver e ser minimamente percebido.
Nessa realidade intangível que nos permeia, poderemos – e teremos – delimitar campos, áreas de conhecimento para re-colecionar concepções, re-esboçar saídas, re-provocar surgimento de utopias e construir opções que superem a mediocridade cotidiana. Temos muito a avaliar e um quantum formidável a propor. Afinal existem milhares de experiências no planeta que estão tornando a vida dos seres humanos nos centros urbanos de todo e qualquer porte algo melhor do que apontam o desespero e o catastrofismo que nos fazem crer que somos construtores.
O que teremos de abrir mão e ao mesmo tempo alcançar para enxergar essas experiências, traduzi-las e nos tornarmos aos olhos de nossos pares as pessoas capazes de realizá-las será uma formidável batalha.
Estamos em Recife, mas haveremos de pensar como nossa vida nos impõe e convida no dia a dia: somos seres de uma região metropolitana. Há particularidades que distinguem os municípios e há outro tanto de questões que são absolutamente semelhantes. Outras regiões certamente têm bastante a nos ensinar. O que soubermos buscar da zona da mata, agreste e sertão poderá trazer novos significados às nossas interpretações da realidade. Não esqueçamos nessa trilha das demais capitais, por exemplo, dos estados vizinhos. Teremos pouco se nos recusarmos a olhar.
O mundo da política não é um mundo de sonhos, mas todos, ainda que acossados pela realidade de ter sempre mais e mais poder, definindo prioridades e realocando recursos…Esse mundo vive assombrado por utopias, ora porque se afasta delas, ora porque os outros personagens à volta não deixam de se nutrir por elas. As utopias estarão sempre presentes.
É tarde, mas ainda há tempo de elaborarmos um conjunto de propostas que permita dar outro significado a vida de milhões. Difícil acreditar nisso em plena sociedade capitalista cada vez mais demolidora, construtora, descartável, autofágica e curta de perspectivas.
Voltamos a ver de perto comportamentos e concepções criminosas que negam a existência de pessoas “outras” que são de fato, nós mesmos. Das guerras cinematográficas onde as cenas são sangrentas de fato, mas em países distantes, nos lançamos às batalhas nas esquinas onde uma raça tenta extinguir outra para que esta não se reproduza. O desconfiar do outro que vem se aproximando é uma declaração de guerra.
A tecnologia cada vez mais acessível nos sequestrou de nossa letargia que confundimos com observação despreocupada do mundo e nos enviou ao patamar onde sentimos algum orgulho de sermos ferramentas de outras pessoas. Por outro lado, não temos como nos alijar do uso de instrumentos novos em momentos como este, mas quiçá saibamos construir outros rumos. Convivemos com automóveis de tantos recursos digitais ao tempo que reaprendemos a nos locomover de bicicletas. A comparação é apenas um exemplo do potencial que nos aguarda.
Pois que saibamos olhar a volta, escapemos dos nossos nichos e ousemos falar para o todo. Há espaços a serem criados, recriados e ocupados. Sim sejamos abertamente realistas. Livremos os demais a nossa volta de nossas envelhecidas vaidades. Não nos atiremos ao novo pelo brilho do rótulo. Sejamos pacientes sem tirar os olhos do relógio. Sejamos pessoas progressivamente menos submetidas as mídias sociais e nos fortaleçamos em nossas redes sociais.
Fomos nós que aos poucos criamos esse mundo deixando de lado tanta coisa que nos foi cara elaborar. Então nos cabe e só a nós reinventar o mundo com tudo que aprendemos e com quem pudermos. Não recusemos o papel de liderar momentaneamente movimentos e iniciativas que desaguem em realizações que de fato mudem a vida das pessoas. Nós somos os donos do lar para onde podem chegar milhões de refugiados. Negarmos isso é nos tornarmos na sequência os refugiados sem abrigos, sem esperança e sem como disfarçar culpa por não termos tentado.

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